Parte III · A Sabedoria
Muito relativismo se infiltra não por má vontade, mas por má leitura. Quando arrancamos versículos do contexto, abrimos a porta para que cada um faça o texto dizer o que quiser.
Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.
2 Timóteo 2.15
"Manejar bem" pressupõe que existe um manejo mau. A Bíblia pode ser torcida, Pedro disse que os ignorantes "torcem" as Escrituras "para sua própria perdição" (2 Pe 3.16). Interpretar com fidelidade não é frieza acadêmica: é um ato de reverência. Quatro hábitos nos guardam.
Quatro Hábitos
Contexto
Cada versículo vive dentro de um parágrafo, um capítulo, um livro, uma história. Leia o que vem antes e depois. A pergunta nunca é só "o que isto significa para mim?", mas "o que isto significava para quem o recebeu primeiro?".
Intenção
O significado não é colocado por mim na leitura; é descoberto naquilo que o autor, humano e divino, quis comunicar. O bom leitor pergunta humildemente "o que ele quis dizer?", em vez de impor "o que eu quero que diga".
Analogia da fé
A Bíblia não se contradiz. Textos mais claros iluminam os mais difíceis. Quando uma interpretação choca com o conjunto do ensino bíblico, é a interpretação que está errada, nunca a Palavra.
Cristo no centro
"As Escrituras testificam de mim", disse Jesus (Jo 5.39). Ler bem é ler em direção a Cristo. Onde a leitura nos deixa orgulhosos em vez de humildes, mais distantes do Salvador em vez de mais perto, algo se perdeu pelo caminho.
O Mesmo Versículo
Lido sozinho
"Não julgueis", logo, ninguém pode dizer que algo é errado.
Lido em contexto
Mateus 7 condena a hipocrisia, não o discernimento, e termina mandando "tirar o argueiro" do irmão.
A humildade não é achar que tudo pode significar qualquer coisa. É submeter-me ao que o texto realmente diz.
A verdadeira reverência diante da Palavra