Versículo 4 · A imagem do ímpio

A moinha ao vento

Três palavras viram a página do salmo: "não são assim". Onde havia raiz, agora há leveza; onde havia água, agora há vento.

Palha levada pelo vento sobre o campo ao pôr do sol — a moinha

Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha.

Salmo 1.4 · ACF

"Não são assim." A repetição abrupta corta o quadro luminoso do versículo anterior. O salmista nem se demora a descrever o ímpio com a mesma riqueza; ele basta uma imagem, e ela é de fragilidade total. A moinha, ou palha, é a casca leve que sobra quando o trigo é debulhado.

Na eira antiga, o agricultor lançava ao alto a mistura debulhada, e o vento fazia o trabalho: o grão pesado caía para ser guardado, e a palha sem peso era levada embora. O ímpio é exatamente isso, aquilo que não tem substância para permanecer quando sopra o vento da provação ou do juízo.

O justo · Versículo 3

Como a árvore

Plantada, enraizada, ligada à água. Pesa, permanece, dá fruto. Tem lugar fixo e futuro garantido. O vento passa, e ela continua de pé.

O ímpio · Versículo 4

Como a moinha

Solta, sem raiz, sem peso. Parece estar junto do trigo, mas basta o primeiro sopro para revelar que nada a prendia ao chão.

O contraste é deliberado e radical. Não há meio-termo entre a árvore e a palha. Uma tem raiz, a outra não tem; uma fica, a outra voa; uma é guardada, a outra é dispersa. O que parece próspero aos olhos pode ser, no fundo, apenas casca esperando o vento.

Sem raiz, basta um sopro para revelar o que sempre faltou.

Meditação · Salmo 1.4