Primeira Estrofe · Salmos 46.1, 3

Refúgio em Meio ao Caos

O salmo abre com o pior cenário que a imaginação antiga poderia conceber: o desfazer-se do próprio mundo. E é exatamente aí que ergue a sua primeira nota de fé.

Montanhas desabando no mar revolto sob tempestade, com um feixe de luz — refúgio em meio ao caos

Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza.

Salmos 46.1, 3 · ACF

Duas Palavras Firmes

O salmo não começa com o problema, mas com a solução. Refúgio é o abrigo para onde se corre, o esconderijo do viajante surpreendido pela tempestade. Fortaleza é o lugar de força, a cidadela que resiste ao cerco. Um protege; o outro sustenta.

E há uma terceira expressão, talvez a mais terna: "socorro bem presente na angústia." Não um socorro distante, que talvez chegue depois. Um socorro abundante, encontrado, próximo, disponível precisamente no aperto, no lugar estreito onde não parece haver saída.

A Paisagem do Medo

Quando o que era firme se move.

Salmos 46.2

A terra se muda

Para o povo antigo, a terra e os montes eram o símbolo máximo da estabilidade, o que jamais se move. Vê-los transportados para o meio dos mares é descrever o impensável: o alicerce do mundo cedendo.

Salmos 46.3

As águas rugem

O mar, na poesia hebraica, é a imagem do caos indomável. Suas águas que rujam e se perturbem são as forças que ameaçam tragar a ordem criada. É o mundo voltando ao informe das origens.

"Pelo que não temeremos." O salmo não nega o terremoto; ele apenas se recusa a temê-lo.

Aqui está o coração da primeira estrofe. A fé do Salmo 46 não é a ilusão de que nada vai desabar. É a certeza de que, mesmo que tudo desabe, o refúgio permanece. O temor é desarmado não porque o perigo é pequeno, mas porque Deus é maior do que o perigo.

Note o contraste guardado para os próximos versos: aqui as águas rugem e se perturbam; logo adiante, um rio alegra a cidade de Deus. O mesmo elemento, a água, aparece como caos e como paz. A diferença está em quem reina sobre ela.

Selá · uma pausa para respirar