A crucificação era a mais cruel das mortes romanas, reservada a escravos e sediciosos. Mas os evangelistas não se demoram nos detalhes do suplício físico, narram-no com sóbria contenção: "e o crucificaram". O peso está no que acontece ao redor e por dentro daquela morte: as trevas, o véu rasgado, o brado, a confissão do centurião.
Marcos organiza o dia por horas, do romper da manhã ao cair da tarde. À terceira hora (nove da manhã), Jesus é crucificado. Da sexta à nona (meio-dia às três da tarde), trevas cobrem toda a terra. À nona hora, ele expira. Antes do pôr do sol, o corpo é sepultado. Cada relógio marca um passo da redenção sendo cumprida.